Abaixo você verá tudo sobre a melhor banda da atualidade: Metallica.

O INÍCIO
1980. Los Angeles, EUA. Um jovem de 17 anos de idade, apaixonado por tênis e também pela NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal - Nova Onda do Metal Britânico), recém chegado da Dinamarca, decide tocar bateria e formar uma banda. O jovem se chamava Lars Ulrich. Sem muitas opções em sua nova cidade, Lars decidiu colocar um anúncio à procura de músicos numa revista chamada Recycler. Recebeu resposta apenas de uma pessoa: James Hetfield. Os dois se encontraram e resolveram tocar, sem compromisso. E, de fato, nada aconteceu depois desses encontros ocasionais. Lars decide então ir à Inglaterra, seguir a turnê do Diamond Head, e passa três meses de sua vida dedicado a isso.

METAL MASSACRE
Voltando, o jovem Ulrich percebeu que seu destino era mesmo tocar bateria. O primeiro passo em direção à sua "sina" foi lutar para conseguir espaço em uma coletânea chamada Metal Massacre, expondo bandas "underground" americanas. Depois de muito esforço e horas de telefonemas, Lars conseguiu o que queria. Teria a chance de mostrar seu trabalho ao mundo, ou pelo menos à cena metal americana. Mas havia só um problema: o baterista não tinha uma banda. Foi então que se lembrou de James Hetfield; depois de alguns telefonemas, combinaram um encontro, do qual resultou "Hit The Lights", a primeira música da banda. E que banda? Afinal, os dois estavam tão agitados que esqueceram de dar um nome para a recém-nascida banda que formaram.

METALLICA
Lars Ulrich se encarregou de criar um nome. Ele se lembrou de que, em uma de suas reuniões com o dono da gravadora de Metal Massacre, a palavra "Metallica" impressa em um cartão de visitas lhe chamou a atenção. Esperto, o dinamarquês logo roubou a idéia. O logotipo, desenhado por James Hetfield, caiu perfeitamente sobre o nome. Tudo pronto para a gravação da disputada faixa na coletânea. Entram em estúdio Lars Ulrich (para tocar bateria, logicamente), James Hetfield (cantando, tocando guitarra e também baixo) e Lloyd Grant (chamado também como guitarrista). É claro que os membros do Metallica não queriam que suas carreiras acabassem com apenas uma faixa registrada e, portanto, correram para encontrar um baixista e começar a fazer shows. Não contentes com Lloyd Grant, Lars e James decidem procurar um novo guitarrista.

O PRIMEIRO SHOW
Os espaços vagos na banda foram preenchidos por Ron McGovney, no baixo, e Dave Mustaine, na guitarra. Prontos para arrasar, os quatro se encarregaram de ensaiar e, obviamente, escrever novas músicas. O resultado dessas criações foram "Jump In The Fire" e "The Mechanix", uma música que depois seria modificada e batizada oficialmente como "The Four Horsemen". Em 14 de março de 1982, subia ao palco pela primeira vez o Metallica, com um set-list praticamente todo de covers. No clube "Radio City", em Anaheim (California, EUA), a banda debutava com "Hit The Lights", "Blitzkrieg", "Helpless", "Jump In The Fire", "Let It Loose", "Sucking My Love", "Am I Evil?", "The Prince", "Killing Time" e provavelmente "The Mechanix". Era basicamente tudo o que eles sabiam até então.

O PRESIDENTE BURTON
Ron McGovney, apesar de não saber, causava um certo descontentamento entre os outros membros da banda. Por isso, Lars, James e Mustaine resolveram secretamente buscar um novo baixista para o Metallica. Foram assistir a um show da banda Trauma e se surpreenderam com o desempenho do jovem Cliff Burton. James diz: "A música parou e eu comecei a conversar com Lars. De repente, ouvimos um barulho grave e distorcido. Automaticamente, olhamos para o palco à busca do guitarrista que estava fazendo aquele som. Mas não havia guitarrista. Só aí é que percebemos que não havia ninguém no palco, apenas um baixista. A partir daquele momento decidimos que aquele cara entraria para o Metallica de qualquer maneira!". E realmente a entrada de Cliff foi difícil: ele só concordou fazer parte do Metallica se toda a banda se mudasse para San Francisco. É claro que todos concordaram. Reza a lenda que, em um show já no Metallica, Cliff Burton tocou "Star Spangled Banner", o hino dos Estados Unidos, no baixo. Depois desse fato, alguns passaram a chamar o baixista de "Presidente Burton".

SAI MUSTAINE...
O Metallica seguia firme em seu objetivo de gravar um álbum, compondo novas músicas. A banda começava a ganhar um certo destaque na cena metal americana. Tudo parecia correr bem, mas não era bem assim. Dave Mustaine, guitarrista talentoso, começou a atrapalhar o destino da banda. O problema principal não dizia respeito às suas "qualificações musicais", mas sim à bebida. Mustaine quase sempre subia no palco alcoolizado e drogado, o que logicamente atrapalhava seus sentidos. Depois de vários shows com pequenos erros, a gota d'água: o cara fez um show que, segundo seus companheiros, foi totalmente "fora do tom". Percebendo que daquele jeito a banda não iria pra frente, todos concordam que o melhor seria tirá-lo do Metallica. Isso ficou a encargo de James; dizem que Dave foi expulso, colocado bêbado dentro de um ônibus de volta para Los Angeles, mas James jura que isso é mentira. Quem ocuparia o lugar do talentoso Mustaine?

...ENTRA HAMMETT
A banda "Exodus" já havia tocado como banda de abertura para o Metallica, num dos primeiros shows da banda. Todos ficaram impressionados com o jovem guitarrista Kirk Hammett, um "discípulo" de Joe Satriani (um dos mais talentosos guitarristas da atualidade). Na época, não passou pela cabeça de nenhum dos membros do Metallica convidar Hammett para o Metallica, já que todos estavam contentes com Dave Mustaine. Mas agora que o "bebum" tinha sido expulso da banda, todos se lembraram do talentoso jovem e resolveram convidá-lo para a banda. Um fato curioso: quando James ligou para Kirk a fim de fazer a proposta, era "April's Fools Day" (o equivalente do 1º de Abril no Brasil) e, por isso, Hammett não acreditou. Só após o segundo telefonema o cara se convenceu de que era verdade. E sem perder tempo, foi voando para San Francisco.

KILL 'EM ALL FOR ONE
Finalmente com uma formação estável, o Metallica consegue uma gravadora para seu primeiro álbum. O nome escolhido, "Metal Up Your Ass" ("Metal Na Sua Bunda", traduzindo), foi considerado muito agressivo pelos distribuidores, que resolveram então vetar o nome. Num estilo bem "Metallica", a banda resolve dar uma resposta aos seus "censores": o álbum foi rebatizado como "Kill 'Em All" (traduzindo, "Mate Todos Eles"), uma provocação que passou despercebida. Finalmente chegava às lojas o primeiro álbum oficial do Metallica: "Kill 'Em All", em julho de 1983. Começa a louca vida de turnês da banda, e a primeira delas foi batizada de "Kill 'Em All For One", já que os caras viajaram junto com o pessoal do Raven, que promovia um álbum chamado "All For One".

OH, BABY
Sem nenhum tempo de folga, o Metallica segue para a gravação de seu segundo álbum logo após a turnê "Kill 'Em All For One". Chamado "Ride The Lightning", este novo trabalho mostrou mais uma vez ao mundo quem eram "os quatro cavaleiros". Mantendo a mesma agressividade do primeiro álbum, a banda agora resolve gravar uma balada, "Fade To Black", e músicas com letras mais críticas, mais profundas. A parte instrumental continua impecável, enquanto que a voz de James Hetfield vai aos poucos se desenvolvendo. E assim "Ride The Lightning", lançado em junho de 1984, manteve o mesmo sucesso de seu predecessor. Pela primeira vez o Metallica é convidado para tocar no Monsters Of Rock, em Donington e, nesse show, acontece um fato curioso: a banda foi colocada para tocar entre as bandas Ratt e Bon Jovi. Isso faz com que James avise o público: "Se vocês vieram para ver caras de calças justas e ouvir músicas com 'oh, baby' em todas as letras, estão no lugar errado!".

OS MESTRES DO MUNDO
Depois da turnê de "Ride The Lightning", James, Lars, Burton e Kirk voltam ao estúdio em 1985 para gravar um dos melhores álbuns de trash metal de todos os tempos. "Master Of Puppets" chegou ao mercado em 1986 e logo impulsionou o Metallica para o sucesso na cena metal mundial. O novo álbum mostra avanços incríveis no som da banda: os vocais de James continuam se desenvolvendo, Kirk melhora cada vez mais sua técnica, Lars está mais maluco do que nunca em sua bateria e Cliff dá um show à parte a cada música que ouvimos do álbum. Tudo corre perfeitamente bem, e o Metallica sai em uma megaturnê mundial como banda de abertura para Ozzy Osbourne. Era um sonho tocar com eles, diz James: "Enquanto nós passávamos o som, tocávamos músicas do Black Sabbath da época de Ozzy, rezando pra que ele viesse até o palco brincar com a gente. Mas isso nunca aconteceu!".

ADEUS, CLIFF BURTON
A turnê com Ozzy Osbourne segue em frente, sempre com shows onde o Metallica se divertia muito. Mas uma tragédia abalou todo o destino da banda. Em 27 de Setembro de 1986, durante uma viagem entre dois shows, de Estocolmo (Suécia) a Copenhague (Dinamarca), um dos ônibus da turnê passou em uma lombada e, descontrolado devido à neve na estrada, o ônibus capotou, arremessando Cliff Burton pela janela e, em seguida, tombando em cima do baixista. Era o fim da brilhante e curta carreira de um dos maiores baixistas de todos os tempos. Adeus, Cliff Burton. Até hoje todos sentem saudades.

JASON "NEWKID"
Depois de recuperados do choque causado pela morte de Cliff, a banda logo decidiu que deveria continuar. Os três membros do Metallica resolveram lançar uma espécie de concurso para baixista, que foi "disputado" por vários interessados. A prova de fogo era tocar uma música do Metallica. É aí que entra o feroz Jason Newsted. O jovem baixista, da banda "Floatsam & Jetsam", deu um verdadeiro show para os membros do Metallica, e então resolveram aplicar-lhe a prova de fogo: tocar um cover da banda. Foi então que, segundo a lenda, Jason respondeu "Qual?", o que significava que ele sabia todas as músicas do Metallica até então. Sem pensar mais, James, Lars e Kirk logo incorporaram o garoto à banda. Mas é lógico que por muitos anos ele não foi ouvido, e alvo das brincadeiras da banda. Não foram poucas as vezes em que Jason foi chamado de "Newkid" nos shows...

A GARAGEM QUE JASON CONSTRUIU
Jason precisava ser apresentado ao mundo, aos fãs da banda. Mas apesar de serem tão cruéis com o novo baixista nas brincadeiras, o Metallica não jogou todo o peso da responsabilidade nas costas do garoto. Ao invés de lançar um álbum com composições próprias, a banda decidiu tocar apenas covers em um EP chamado "Garage Days Re-Revisited". Newsted logo foi aceito pelos fãs; estava na hora de voltar ao trabalho. Um detalhe: a garagem onde a banda ensaiou antes de gravar o EP foi totalmente construída por Jason, mais uma brincadeira de mau gosto do Metallica!

JUSTIÇA SEJA FEITA
Em 1988, chega a hora de gravar um álbum com letras e músicas próprias. E não foi um álbum qualquer. "...And Justice For All" mostra um Metallica diferente: ainda pesado, porém mais composto e mais crítico do que nunca. Desta vez o alvo da fúria da banda foi a justiça. A capa do álbum já diz tudo: mosta o símbolo da justiça - uma estátua com os olhos vendados (para que seja impessoal) e uma balança sempre idêntica em seus dois lados (representando a imparcialidade) - totalmente diferente. Na versão "metálica" da justiça, a estátua está se quebrando, a balança pesa para o lado onde há mais dinheiro e existem cordas prendendo e manipulando a justiça de todos os modos possíveis. "...And Justice For All" também marca a entrada da banda no mundo do videoclipe com "One". A primeira versão do clipe era uma epopéia de quase dez minutos com cenas do filme "Johnny Vai À Guerra", contando a história de um sujeito que vai à guerra e volta um verdadeiro "vegetal". Logicamente a versão foi vetada pela MTV por ser muito longo e foi reduzido em quase três minutos para entrar no padrão da TV. James costuma dizer que, quem assiste ao clipe de "One" tem duas reações: pode sair maravilhado ou deprimido.

A EXPLOSÃO NEGRA
A turnê de "...And Justice For All" demorou alguns anos e, depois, chegou o momento de decidir o destino da banda. Muita coisa aconteceu neste período: o metal estava ganhando espaço na cena musical mundial graças ao Metallica, que neste momento já era uma banda consagrada; um Grammy havia sido perdido (o que fez a banda adicionar um adesivo ao álbum onde se lia "Perdedores do Grammy") e era o momento de mostrar ao mundo todo o poder sonoro do Metallica. Foi então que os quatro membros da banda decidiram contratar Bob Rock, um produtor "pop", e entraram em estúdio durante meses. O resultado foi o trabalho pelo qual o Metallica seria eternamente lembrado, "Metallica", ou simplesmente "Black Album", como ficou conhecido pelos fãs da banda. A explosão negra enviou a banda a uma turnê mundial gigantesca, conhecida como "Wherever I May Roam". Depois de centenas de cidades percorridas, começa a segunda parte da turnê, "Nowhere Else To Roam". O sucesso estava confirmadíssimo e, enquanto estava em estúdio gravando o próximo álbum, a banda entrou em uma mini-turnê chamada "Escape From The Studio '95", onde a música "2 x 4" foi apresentada em algumas ocasiões.

OS HERÓIS DO ANO
O lançamento do álbum "Load", em 1996, foi um golpe nos fãs antigos da banda, aqueles que idolatravam o trash do início do Metallica. Desde "...And Justice For All" alguns vinham reclamando da "popularização" da banda. "Load" foi apenas a gota d'água. Um som muito mais leve e, como dizem, comercial, tomou conta das 14 faixas do novo álbum que, apesar de ter boas faixas, não alcançou nem um décimo do sucesso do "Metallica". Com um visual novo, de cabelos curtos, maquiagem e até mesmo unhas pintadas, a banda segue em frente, em uma pequena turnê chamada "Pour Touring Me". No mesmo ano, anunciam suas intenções: lançar um álbum por ano, com turnês curtas e mais tempo para se dedicarem às famílias dos membros. Afinal, todos estavam envelhecendo e era natural que se casassem e tivessem filhos.

A MEMÓRIA CONTINUA VIVA
Para desespero dos fãs antigos, em "Reload" continua a trajetória mais comercial da banda. Com as reclamações dos fãs antigos, no entanto, todos resolveram fazer composições mais rápidas e pesadas. Lançado em 1998, "Reload" confirma a trajetória de um álbum por ano. A turnê, chamada "Poor Re-Touring Me", passa por mais lugares no mundo todo. O que acalma os fãs antigos é que, pelo menos no palco, o Metallica continua o mesmo, ou seja, furioso e quente. Ou seja, a memória dos tempos antigos ainda continuava viva dentro dos quatro membros da banda.

A VELHA E BOA GARAGEM
Saindo das turnês curtas porém cansativas de "Load" e "Reload", o Metallica precisava de um "descanso". E a melhor maneira que encontraram foi gravar um novo álbum de covers, que funciona como uma terapia para a banda. Depois das gravações e de um lançamento aguardado, a banda sai em turnê mundial, mais uma vez curta, a "The Garage Remains The Same 1999". O álbum foi lançado em 1998; por três anos seguidos a afirmação de um álbum por ano se confirmou. Portanto, era de se esperar que em 1999 também continuasse a se realizar. E como isso seria feito? Não é fácil adivinhar, afinal o Metallica é cheio de surpresas.

MENOS HUMANOS
A forma encontrada foi a mais inesperada possível: convidando a Sinfônica de San Francisco, a banda toca seus maiores sucessos acompanhados de uma orquestra, em shows restritos a integrantes do fã-clube oficial da banda. Aproveitando, a banda lança duas novas músicas, "- Human" (lê-se "Minus Human") e "No Leaf Clover". Segundo informações não oficiais, o álbum com a orquestra será lançado entre Agosto e Novembro e provavelmente acompanhado do lançamento de um "home video" com gravações feitas nos shows. O futuro do Metallica continua ainda um mistério. Em algumas entrevistas, James afirmou que não sairá em turnê com a orquestra, o que seria caríssimo. Bem, nesse caso... Qual será o álbum lançado no ano 2000?

FORMAÇÃO DA BANDA

DISCOGRAFIA